Um ano em Manaus

há 366 desde eu desembarcou no aeroporto “Eduardo Gomes”, Manaus no dia 13 de Julho 2011. Como incontáveis imigrantes nos últimos 500 anos antes de mim e eu chegei cheio de entusiasmo e energia para começar um novo capitulo da minha vida. Finalmente, o tempo de espera acabou e eu pude estar com minha amada Claudete. Nunca teve planejado em voltar a Manaus, mas desde que Claudete morava em aqui foi o lugar obvio de ficar no inicio. A minha estimativa foi que levará cerca seis meses para me estabelecer e encontrar trabalho, sabia que não seria facil. A principal razão para a minha aventura brasileira foi o nosso casamento, e isso valeu (e vale) cada aventura. Dinheiro não era um problema urgente, eu tinha poupança e de qualquer maneira eu poderia procurar trabalho somente com o certidão de casamento. Gostei do tempo do “Dolce Far Niente”, que apenas foi interrompida por esporádicos desafios burocráticos. Mesmo antes do casamento, já abriu-se a possibilidade de concorrer a uma vaga para professor substituto temporário de engenharia de software na UFAM. Já que Claudete tive que terminar a sua dissertação esta foi uma oportunidade bem-vinda, fiquei otimistico por que recebi feedback ótimo da minha aula de prova. Foi devido a entraves burocráticos, que não deu certo e eu tive que voltar a buscar de trabalho e meu pequeno projeto Android de passa-tempo. Ainda assim gostei muito da liberdade e meu entusiasmo era inabalável, alimentado por notícias sobre o crescimento econômico brasileiro e escassez de engenheiros qualificados.
Nos mêses seguintes, enviei meu currículo e carta de apresentação para incontáveis ??(> 100) vagas dos sites de anúncios. Infelizmente, as candidaturas permaneceram sem resposta, até hoje eu não posso dizer por que. Pouco antes do Natal eu recebi uma mensagem de uma agência de RH que estava procurando engenheiros o Parque de Ciência Itaipu. Eu fiquei logo super animado, a vaga parecia perfeita. Eu tinha uma entrevista bem-sucedida com a moça do RH por meio do Skype. Em janeiro recebi ligações, mas infelizmente o número era suprimida, e a conexão não foi concluído devido a razões técnicas …
Mas eu tive sucesso com anúncios no jornal e no dia 19 de Janeiro comecei o meu cargo de coordenador de desenvolvimento eletrônico no IATECAM. No trabalho encontrei logo desafios que não conhecia da Alemanha. Por exemplo, nunca pensei que uma remessa de simples componentes eletrônicos pode ficar parado nas alfandegas mais do que três meses, ou que não existe escritórios de vendas ou suporte técnico para produtos de automação num raio de >1000 km.
Fiquei mais do que 11h por dia fora de casa no trabalho e no transito. Mas o salário é relativamente bom e assim mudamos para um apartamento maior e mais perto do trabalho. Meu equilíbrio entre trabalho e vida melhorou um pouco, agora eu preciso apenas 25 minutos a pé ao IATECAM, de carro levo 15 minutos.

Do meu entusiasmo inicial não sobrou muito. Viver em Manaus suga nas minhas forças e não encontrei ainda uma forma de me recuperar no meu tempo restante a noite. Eu estava acostumado a compensar o trabalho de escritório passeando de bicicleta ou correndo na beira do rio a noite. Se não estava com vontade de fazer esporte fui deitar na grama no parque lendo e observando as pessoas ou fui passear nas ruas do centro.  Aqui a questão é “onde eu possa prosseguir este passatempo?”
Há alguns parques pequenos, como Mindu e INPA, ambos são fechadas à noite e também não tem área de grama para ficar. Na Ponta Negra uma faixa da rua esta reservado para os ciclistas no fim de semana. Eu poderia pegar uma bicicleta no carro e ir a Ponta Negra. Lá posso dar uma volta de dois quilômetros subindo e descendo na estrada ou caminhar um pouco. Uma outra alternativa popular é jogar futebol numa das quadras de concreto que tem na cidade, mas jogar bola nunca foi um esporte que eu curti.
Fora disso todas as atividades parecem de involver consumo. Um passatempo muito popular é passear no shopping para ir ao cinema ou aos bares. Meu passatempo predominante agora é de sair tomar cerveja nos butecos. Isso é uma atividade relativamente tranqüila até alguém estaciona seu carro ao lado, abre a porta mala e liga o som bem alto, não importa se eu quero ouvi-lo ou não.

Exige energia visitar as “atrações” que existem em Manaus. Embora morar bem central, transporte do ponto A ao ponto B na cidade não é fácil ou rápido. Não precisa se falar muito sobre o transportes público. Ônibus, o unico transporte de massa, é sempre uma aventura, porque não existe nem plano de linhas nem de horários. O passageiro dependente de dicas qual linha á pegar e a onde trocar – e reza que o ônibus realmente para na parada.
O ônibus não é mais rápido, fica no mesmo engarrafamento que os carros por que os corredores de ônibus exclusivos foram ocupado pelos motoristas de carro logo depois da inauguração. Se eu ainda queria depois do trabalho ir no parque ou á Ponta Negra eu levaria pelo menos uma hora de carro nas ruas congestionadas ou 2 horas de ônibus.
Participação ativa do transito em Manaus requer alta concentração e traz uma probabilidade elevada de ser envolvido num acidente. Nos últimos 32 anos na Alemanha eu não vi tantas acidentes com feridos como em um ano em Manaus. Parece que na rua vigora a lei da selva: Gol ganha contra pedestre, Hilux vence o Gol, caminhões e ônibus dominam tudo. Andar de bicicleta é um risco que eu não atrevo. No meia da faixa o atropelamento parece quase certo, no canto da rua não pode andar por causa dos buracos com barras de aço afiadas onde se encaixa facilmente em uma bicicleta inteira.
Resta a possibilidade de caminhar.

Armadilhas no caminho

Armadilhas no caminho

Embora a maioria dos cidadãos não tem veículos as calçadas estão em estado precário e faixas de pedestres ou semáforos ficam uma raridade. Segundo um estudo Manaus tem a pior infra-estrutura para pedestres de todas metropolitanas Brasileiras  [Fonte: acritica]. Em muitos trechos não têm calçadas. Se houver calçadas, eles são usados por borracharias ou lanchonetes como área de negocio. Em Março aconteceu, que eu tive que desviar na rua porque a calçada esta bloqueado por carros estacionados, na seqüencia um motorista me xingou “Saia da rua, seu filho da puta!”. Se a calçada estiver livre, há grande buracos com pontas de aço. Pelo menos para pessoas mais altas também tem ameaça na altura da cabeça (arames, pregos, telhados de funil cortante …)
Andar em Manaus é mais uma aventura do que um leve passa-tempo, e as sensações de uma caminhada não são sempre agradável. Embora o lixo ser recolhido quase todos os dias e apenas uma taxa fixa é cobrado, as ruas estão cheias de sujeira e do cheiro. Sacos de plástico, latas, garrafas, eletrodomésticos e pneus são simplesmente descartados pelos moradores na rua ou na calçada. Até alguém vai arrumar, provavelmente a prefeitura. O bairro Aleixo foi limpo numa ação de multirão há tres semanas atras, agora a situação é tão sujo quanto antes.
Diretamente em frente do nosso condomínio há uma parada de ônibus bem freqüentada (Manauara Shopping, saída Paraíba). Não há nenhuma lixeira, mas ambulantes que vendem lanches diversos. O leitor pode imaginar a quantidade de lixo.

Manaus é uma cidade jovem, muitos bairros tem menos do que de 30 anos, a terra onde novos distritos são construidos custa quase nada e mesmo assim o planejamento urbano não preve espaço para parques, espaços verdes, ciclovias, ou para a instalação de rotas de transporte publicos mais tarde. Falta de recursos não pode ser o motivo, Manaus tem a quarta maior renda de impostos do Brasil [Fonte :d24am], em frente de Belo Horizonte e Curitiba. Também comparando a renda per capita Manaus não é pobre, com  23 mil R$ está longe de Belo Horizonte (18mil R$) e Florianópolis (20 mil R$) [Fonte: IBGE]. Moema (SP) tem uma densidade populacional alta e as ruas são estreitas e mesmo assim as ciclovias são livres, os motoristas são atenciosos, e apesar dos problemas de estacionamento são as calçadas de ambos os lados não são usado como estacionamento.
Na prefeitura de Manaus, infelizmente, como em muitos outras cidades, governa a corrupção, mas mesmo sem este problema a prefeitura não pode resolver todos os problemas. Uma cidade é inicialmente apenas um conjunto de edifícios, são os cidadãos que lhe dar um rosto. É da responsabilidade de cada indivíduo como ele trata o espaço público, se ele apenas usa, se ele cuida (ou pelo menos não deixa-lo pior do que ele o encontrou). A cidade é um dos cidadãos, isso não significa que cada um trata como sua propriedade, mas que ele deve tratá-lo como se pertencesse a seus vizinhos.
Muitas pessoas com quem falei, acham Manaus não tão ruim. A cidade era relativamente seguro eles dissem, eu não sei de onde sugeriu este argumento. Em 2012 já havia 596 mortos nos primeiros 7 meses [Fonte: d24am] e a estatística mostra uma violencia relativamente alta em Manaus [Fonte: sangari 2011].
Também me falaram que o transito era muito pior em outras cidades era pior e as ruas eram mais sujas.Eu não sei eu nunca estive lá, mas imagino que Mogadíscio é muito mais perigoso, a Mumbai é muito mais imundo eo caos no trânsito em Moscou é infernal. No outro lado as condições de Moscou, Mumbai e Mogadiscio não tem relevância para minha vida, estou em Manaus.
Estou ciente de que eu não posso comparar Manaus com uma cidade européia, mas eu acho que Manaus deve ser comparada com as cidades de renda e tamanho semelhante. Em Manaus abriu a primeira universidade do Brasil, tive bondes e avenidas arvolizadas, o que aconteceu?
Gostaria somente que o transito flui como em Salvador, que o centro estiver mais parecido com a zona pedonal de Florianópolis, que talvez seja apenas a quantidade de lixo tanto na rua que se encontra em Belo Horizonte. Eu gostaria que houvesse uma ciclovia como na Orla de Maceió, da Ponta Negra via Educandos á Mauazinho e uma forma de chegar de bicicleta a esta ciclovia. Eu quero viver em uma cidade onde eu posso ser humano sem precisar de um carro que me protege dos outros. Eu queria estar em outro lugar.

A prefeitura tinha colocado isso muito bem: “Manaus – Você Merece uma Cidade Melhor!”